Revit vs Archicad é uma discussão atrasada?
BIM REAL
Gabriel Feiertag
5/28/20263 min read


Revit ou Archicad? Acho que estamos discutindo a coisa errada
Se você trabalha com BIM há algum tempo, provavelmente já participou da discussão clássica:
"Qual é melhor: Revit ou Archicad?"
Eu já vi essa conversa acontecer em eventos, grupos de WhatsApp, LinkedIn e até em reuniões de projeto.
E, sinceramente, acho que essa discussão recebe muito mais atenção do que merece.
Não porque software não seja importante.
É porque existe um problema muito maior que normalmente fica escondido atrás dessa guerra de ferramentas.
O problema que ninguém quer discutir
Sempre que alguém pergunta qual software BIM é melhor, eu costumo pensar em outra pergunta:
A informação do projeto está chegando corretamente até quem precisa dela?
Porque, na prática, é isso que gera resultado.
Não importa muito se o modelo foi feito no Revit, Archicad ou qualquer outra plataforma se a informação chega incompleta, inconsistente ou simplesmente se perde no caminho.
E é exatamente aí que entra um conceito que muita gente fala, mas pouca gente realmente entende: OpenBIM.
Não, OpenBIM não é só exportar um IFC
Uma das maiores confusões que vejo no mercado é tratar OpenBIM como sinônimo de IFC.
Como se bastasse exportar um arquivo e pronto, o projeto estivesse trabalhando em OpenBIM.
Para mim, essa visão é limitada.
O IFC é apenas uma peça da engrenagem.
OpenBIM é uma forma de pensar o processo.
É a ideia de que a informação precisa funcionar independentemente da ferramenta utilizada para produzi-la.
Parece simples.
Mas muda completamente a lógica de trabalho.
Uma situação que vejo acontecer o tempo todo
Já participei de projetos em que cada disciplina utilizava um software diferente.
Arquitetura em uma plataforma.
Estrutural em outra.
Instalações em uma terceira.
Coordenação em uma quarta ferramenta.
No início, muita gente enxergava isso como o principal problema do projeto.
Mas quase nunca era.
Quando começávamos a analisar os conflitos, normalmente os erros estavam em outro lugar.
Propriedades faltando.
Classificações inconsistentes.
Informações preenchidas de formas diferentes.
Modelos sem padrão.
Ou seja, o software não era o problema.
A informação era.
A solução mais comum normalmente não resolve nada
Quando uma empresa percebe dificuldades de integração, a primeira reação costuma ser simples:
"Vamos padronizar tudo em um único software."
Isso até pode reduzir alguns atritos.
Mas não resolve o problema principal.
Porque se a equipe não possui critérios claros para estruturar e compartilhar informações, o caos continua existindo.
Só acontece dentro da mesma plataforma.
E isso é algo que muita gente demora para perceber.
O que realmente separa equipes maduras das demais
Na minha visão, maturidade BIM tem muito menos relação com software do que o mercado costuma imaginar.
As equipes mais organizadas que conheci tinham algo em comum:
Elas sabiam gerenciar informação.
Tinham padrões.
Tinham critérios.
Tinham processos.
Sabiam o que precisava ser entregue e como aquilo deveria chegar para a próxima etapa.
Quando isso existe, a troca entre plataformas se torna muito mais simples.
Quando isso não existe, nem o melhor software do mundo consegue salvar o projeto.
Talvez estejamos olhando para o lugar errado
Eu não tenho nada contra a discussão sobre softwares.
Existem diferenças importantes entre as plataformas e elas merecem ser analisadas.
Mas eu vejo muita gente gastando horas debatendo Revit versus Archicad enquanto problemas muito mais sérios continuam sem solução.
IFCs mal configurados.
Quantitativos errados.
Compatibilização superficial.
Informação sem padronização.
Fluxos quebrados.
Para mim, esses são os problemas que realmente travam a evolução do BIM.
Minha opinião
Quanto mais tempo passo trabalhando com BIM, mais eu me convenço de uma coisa:
A guerra de softwares é uma das discussões mais superestimadas do mercado.
Porque trocar de ferramenta é relativamente fácil.
Difícil mesmo é construir processos capazes de funcionar além dela.
E, na minha opinião, é exatamente isso que o OpenBIM tenta nos ensinar desde o início.
Agora quero saber sua visão.
O mercado brasileiro ainda está preso demais à discussão sobre software ou você acha que essa preocupação continua sendo a mais importante?
